A CRISE DA INTELIGÊNCIA

CROZIER, Michel




Código: EP 052

Coleção: ECONOMIA E POLÍTICA

Edição: 2000

Editor Original:INSTITUTO PIAGET

ISBN: 978-972-771-204-5



12,73 €

  • A crise que nós vivemos é, antes de mais, uma crise moral e intelectual. Não se deve a uma situação objectiva, mas é fruto de uma reacção subjectiva. Estamos em desordem, porque já não temos confiança nas nossas elites e, doravante, cada vez menos em nós próprios. Perdemos todas as nossas referências, e as nossas elites são impotentes, pois, seja qual for o seu compromisso partidário, falam aos seus concidadãos numa linguagem confrangedoramente fechada. Uma crise desta natureza poderia ser salutar se pudesse levar a uma retoma de consciência da realidade! Poderia, assim, abrir o caminho à reforma intelectual que nos permitiria encontrar, finalmente, respostas adaptadas às mudanças demasiado rápidas do mundo. Que as ideologias contraditórias que nos paralisaram tenham, enfim, sido varridas pelos factos, parecer-nos-ia então como uma bênção e não como o sinal de ausência de pensamento. Mas este não é o caso. As nossas elites contraem-se. Quanto mais eficazes são, menos suportam a crítica. É inconcebível que os governantes responsáveis, os dirigentes das instituições, possam declarar, sem vergonha, que são incapazes de efectuar a mínima mudança por causa da rigidez, dos secretismos e do conservadorismo da sociedade ou dos organismos que dirigem. Porque é bem no topo do Estado, das administrações, do sistema das grandes escolas e dos grandes corpos do estado que se descobre a razão da sua rigidez e dos seus secretismos. A sociedade muda e adapta-se mais ou menos bem. São os organismos que a paralisam. E o único verdadeiro perigo que nos ameaça não é a crise por si, mas o risco de regressão que os comportamentos perante os factos implicam. E procurar-se culpados para poder sacrificar quaisquer responsáveis não pode senão reforçar o sistema. A problemática real converge, antes, para a afirmação e assunção da responsabilidade.
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