ANTROPOLOGIA INGÉNUA, ANTROPOLOGIA ERUDITA

STOCZKOWSKI, Wiktor




Código: ES 121

Coleção: EPISTEMOLOGIA E SOCIEDADE

Edição: 2000

Editor Original:C.N.R.S. EDITIONS

ISBN: 978-972-771-176-5



16,02 €

  • Nesta obra o autor pretende abordar as concepções sábias que aspiram a explicar a antropogénese. As reflexões sobre as origens do homem e da cultura fazem parte dos constantes esforços do pensamento humano. Cada cultura possuindo concepções que relatam os primordiais acontecimentos na sequência dos quais o homem se tornou no que hoje é. Até uma época relativamente recente, a cultura ocidental satisfazia-se das explicações míticas. No século XIX, as respostas tradicionais foram questionadas e a ciência encarregou-se de as substituir por um saber positivo, livre de ideias preconcebidas, severamente controlado e solidamente fundamentado nos vestígios materiais do passado. Com a evolução, a ciência rejeitou as explicações sobrenaturais características dos mitos, sem ter conseguido isentar-se dos esquemas conceptuais da especulação conjectural. Alimentou-se deles, sem saber, e tornou-se o seu instrumento e prolongamento. Os pré-historiadores e os paleontólogos, preocupados como estão em estudar os traços do passado, esquecem frequentemente que os dados factuais só respondem às questões postas pelo investigador. Ora, se as questões continuam tão convencionais e estereotipadas, são muito poucas as oportunidades de as respostas o serem menos. Estas questões apenas têm uma fonte: a imaginação! A imaginação dos científicos continua, curiosamente, condicionada por uma enorme carga de imitações cuja aparência plausível seduz e consolida. Assim, algumas obras dos pré-historiadores e dos paleontólogos acabam por ensinar-nos menos acerca das origens do homem e mais sobre as crenças dos investigadores e do seu público. Actuando como etnólogo, o autor, nesta obra, procura reconstituir as raízes filosóficas destas crenças e a sua história, descreve a forma como os professores as inculcam nos seus alunos e apresenta os seus avatares científicos mais recentes. Embora sejamos racionais, não ficamos menos crentes e se a venerável ciência encontra frequentemente, nas suas conclusões, o pensamento comum é porque, quer uma quer outro, são tributários de um imaginário antigo onde se reflecte uma antropologia ingénua: a nossa forma simplista de ver o homem, a sua cultura e as vicissitudes da sua história.
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